Publicado em 30.08.2008-Jornal do Comercio
Larissa Alencar
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Dezenas de curiosos presenciaram, ontem pela manhã, a ofensiva do candidato à Prefeitura do Recife Edilson Silva (PSOL) e do Democratas, que pegou carona na denúncia do PSOL de que há “informação inverídica” na polêmica revista do Orçamento Participativo, editada pela PCR. Em frente ao único posto de saúde do bairro do Coqueiral, os políticos mostraram que a publicação lançada pelo governo João Paulo em março deste ano para “prestar contas da gestão” apresentava “dados equivocados”. Desafiado por Edilson no debate na TV Clube, na quinta-feira, a provar o contrário, o candidato João da Costa (PT) não compareceu.
Na página 53 da revista – que já rendeu a João da Costa um processo por suposto uso da máquina –, consta que houve “implantação de 02 PSF no Coqueiral com 02 equipes para atender o Alto da Bela Vista/Coqueiral”. “O único posto que existe no Coqueiral é aquele (na Rua Maria Teresa)”, sentenciou a coordenadora de saúde da prefeitura na área, Rita Tenório. Os cinco moradores do Coqueiral que auxiliaram o JC a chegar ao topo da ladeira da Maria Teresa também não precisaram perguntar para qual posto de saúde a reportagem seguia. “Só tem um posto aqui”, insistiam eles, que não acompanharam o debate e assistiam atordoados à movimentação no local.
Para Rita Tenório, deve ter havido erro de digitação. “É um sentimento meu. Mas não tenho conhecimento do que aconteceu. A revista não foi confeccionada por nós”, finalizou. Para João da Costa, no entanto, a confusão é de ordem interpretativa. “O que está escrito é implantação de dois PSFs (Programa de Saúde da Família) no Coqueiral, com duas equipes para atender o Alto da Bela Vista. Isso significa duas equipes de Saúde da Família que estão funcionando no prédio da Associação de Moradores, em Coqueiral.
”Ao atribuir ao “P” de PSF o sentido de “programa”, e não de “posto”, o candidato dá por encerrado o assunto. Mas, em outros momentos, a revista dá margem a leituras diferentes. Quando trata da “reforma do PSF I e II”, na página 49, por exemplo. “Prometeram um segundo posto, mas ele nunca foi construído”, esclareceu a dona de casa Maria de Fátima de Abreu. A confusão que veio com a denúncia foi comemorada pelos moradores. Antiga moradora de uma das casas que foram derrubadas para a construção de uma sede própria para o posto de saúde, Danúzia Xisto estava satisfeita. “Até que enfim vamos ver se esse posto sai”.