Nota oficial da Comissão Executiva Municipal do PSOL Recife sobre as eleições 2012
Por uma Frente Social e Política de Esquerda no Recife
A cidade do Recife concentra uma riqueza ilimitada: sua geografia, sua história, sua cultura, sua gente. Nossa cidade é maravilhosa e é nosso dever cuidá-la e preservá-la, melhorá-la e planejá-la, para que não a percamos nos descaminhos dos interesses mesquinhos dos que vêem nela somente um aglomerado urbano a ser explorado num mercado. Além de patrimônio natural, histórico e cultural, que tanto nos orgulha, Recife é o lugar onde vivemos e onde queremos e precisamos ser felizes.
Nossa cidade, das ilhas e manguezais, de tantas coisas bonitas para contar, infelizmente anda doente. A criminalidade e a imobilidade urbana nos sufocam, as crianças e jovens estão desprezados, nossa cultura e nossa arte estão desvalorizadas; sem-teto, sem-saúde e sem-educação transbordam pela cidade, políticos e gestores nos envergonham.
Enquanto isso, grupos políticos que já governaram ou governam a cidade, lutam entre si e se armam para a disputa eleitoral que se avizinha com algo em comum: o compromisso de não contrariar os interesses daqueles que privatizam a nossa cidade, como as empresas de ônibus e as construtoras com sua sede de especulação imobiliária, e também o compromisso em não mudar a velha forma de fazer política, com fisiologismo, corrupção, sem controle social e sem participação popular.
O PSOL tem feito um esforço para se contrapor a tudo isto e construir caminhos alternativos. Nos processos eleitorais temos nos apresentado sempre de forma independente, colaborativa e combativa. No cotidiano da cidade, temos nos somado às reivindicações e lutas populares. Desde a defesa da formalização do trabalho de barraqueiros, passando pela mobilização popular em defesa da nossa cultura, pela defesa de matriz energética limpa para o nosso estado, indo às ruas com a juventude lutar contra o aumento das passagens, debatendo o desenvolvimento com o setor de engenharia, ocupando o Cais José Estelita contra os interesses de grandes corporações imobiliárias, dentre inúmeras outras atividades. Em todas estas ações, vamos percebendo que a cidade já não se cala e já não se resigna diante de tantas mazelas e arbitrariedades.
Entendemos, nesta quadra conjuntural, que existe uma dinâmica social na cidade em que é possível e preciso avançar numa unidade de forças vivas em defesa de nossa cidade e dos interesses das maiorias que nela vivem. Com este espírito, o PSOL está em processo de busca de unidade com o PCB e com o PSTU, partidos com os quais queremos compor uma Frente de Esquerda que comporte outras forças e setores sociais, como movimentos populares e intelectuais.
Assim, após entendimentos prévios com estes partidos, o PSOL se comprometeu em fazer o gesto largo de retirar sua pré-candidatura, como forma de dar um passo decidido nesta direção, e os demais partidos comprometeram-se em levar esta mesma proposta para seus fóruns deliberativos, que certamente deverão compreender o desprendimento como um gesto de unidade. A decisão unânime da instância municipal do PSOL foi apoiada por ampla maioria de seus filiados presentes em plenária municipal, prova inequívoca de nossa disposição para avançar nesta direção.
O PSOL, do alto de seu desprendimento e honestidade em busca desta unidade, conclama as forças sociais e políticas de nossa cidade, indivíduos e coletivos, para seguirmos juntos nesta empreitada política. Queremos e podemos construir uma campanha popular, sem doações milionárias, mas com a contribuição consciente de cidadãos e cidadãs da cidade; com a alegria e com a energia dos que militam por paixão pela vida; uma campanha democrática, com um programa que a cidade abrace com esperança e entusiasmo. Vamos juntos defender e construir a cidade que a gente deseja!
Direção Executiva Municipal do PSOL Recife
As digitais de Marx nos vestígios do pós-capitalismo
Por Edilson Silva*
A economia é o motor da história, afirmava Marx. Parte do núcleo central do legado que herdamos de sua ciência está assentado na dialética entre o desenvolvimento das forças produtivas das sociedades e as relações sociais de produção que estas sociedades realizam, cujas sínteses edificam e ao mesmo tempo se relacionam também dialeticamente com suas superestruturas ideológicas, suas consciências sociais. Marx viu na estrutura econômica das sociedades, nas necessárias relações sociais contraídas para a produção de seus bens e serviços, o elemento propulsor fundamental do processo civilizatório e das transformações culturais.
O método do materialismo histórico e a apreensão da dialética da luta de classes desnudou as leis que conspiravam em desfavor da perpetuação do capitalismo como modo de produção, razão pela qual por diversas vezes perfilaram a ciência de Marx na direção de seu funeral definitivo. O último a tentar a faceta ousada e ter alguma audiência talvez tenha sido Francis Fukuyama, que ousou decretar o fim da história. Fukuyama e seus patrocinadores pretendiam congelar um mundo social presidido de forma vitalícia pela lógica dialética, portanto, do conhecimento mutante e crescente. Como se a espécie humana, por decreto ideológico, pudesse ter sua capacidade de abstração fossilizada, transformada numa espécie de tipo novo de sociedade de abelhas, produzindo seu “mel” de forma invariável, aceitando mutações apenas no processo de acumulação deste “mel”, em formato cada vez mais concentrado. Leia Mais
Por Cesar Ramos*
O Carnaval 2012 de Jaboatão recebeu apenas 37,5 % a mais que o PE FOLIA, que foi um evento privado, realizado em outubro do ano passado. Isso revela que o prefeito tem dado mais importância a uma festa pré-fabricada pela indústria da cultura que à maior manifestação popular do país. Segundo dados da própria prefeitura, foram gastos mais de 1,5 milhões em apenas dois dias do PE FOLIA, enquanto que para o Carnaval se investiu 2,4 milhões. Apenas Jaboatão investe, proporcionalmente, mais em um carnaval fora de época, que com o verdadeiro carnaval.
A nosso ver, eventos midiáticos como o “PE-FOLIA” não constituem a identidade cultural que desejamos para Jaboatão – por estar fundado na lógica mercadológica da cultura que objetiva, apenas, vender a cultura e o lazer como mercadorias para a população. Leia Mais
Por Edilson Silva
Há poucos dias participei de um debate numa rádio do Recife, das mais ouvidas. O tema: Esquerda e Direita na política brasileira. Fui lá defender o que conceituo como Esquerda. O deputado federal Mendonça Filho, do DEM, foi convidado para defender, pensei, as posições da Direita.
Fiquei surpreso ao ouvir do deputado do DEM que em 1964 o então presidente João Goulart foi vítima de um golpe e não de uma revolução, como sempre defenderam os golpistas. Fiquei ainda mais surpreso quando ouvi o deputado afirmar orgulhoso que o ex-presidente de seu partido, Rodrigo Maia, nasceu no exílio, no Chile, por conta exatamente deste golpe. Quando fez a defesa do Código Florestal e da posição (muito boa por sinal) do ex-ministro Gustavo Krause, a respeito das alterações deste código hoje no Congresso, juro que quase me emocionei. Mas quando ele teve a coragem de dizer ao vivo que defendia a redução da jornada de trabalho sem redução salarial dos trabalhadores, por pouco não puxei uma ficha do PSOL para filiá-lo. Leia Mais
O PSOL apóia as mobilizações dos PMs
Por Edilson Silva*
As recentes greves de policiais militares na Bahia e Rio de Janeiro colocaram o PSOL em certa evidência como partido político que apóia as lutas desta categoria. Paralelo a isto, numa jogada midiática manjada, mas que sempre seduz desavisados, elites arcaicas insistem na tese da “politização” das greves, como se organizações partidárias não tivessem legitimidade para apoiar diretamente as mobilizações e como se as categorias não tivessem o direito de se organizar politicamente para alcançar suas reivindicações.
O PSOL apóia as mobilizações dos PMs, sobretudo, por entender que suas reivindicações, além de justas, extrapolam em muito uma questão meramente corporativa. Os PMs são os operadores da segurança pública e não podem estar submetidos a um regime de trabalho desumano e com salários aviltantes. Esta situação precária recai sobre o conjunto da sociedade. Como teremos uma polícia cidadã, bem formada, qualificada, respeitosa por princípio aos direitos humanos, para servir ao público, se recrutamos cidadãos para receber um salário baixíssimo e trabalhar em péssimas condições neste polícia? Leia Mais