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O PV e o debate ideológico

publicado no dia 24/01/10 //

Jornal do Commercio

Legenda dialogou com o PSOL, se acerta com o PSDB e ignora o debate esquerda versus direita, se colocando à frente dessa discussão. Mas enfrenta crítica 

Da inicial amizade colorida com o PSOL ao atual namoro com o PSDB, tudo aconteceu de forma muito rápida no Partido Verde – especialmente após a decisão da senadora Marina Silva (AC) se filiar à legenda, em agosto de 2009. A mudança foi tão veloz que provocou o inevitável questionamento: afinal, qual será o “lado†do partido na disputa presidencial – o da esquerda quase radical do grupo liderado pela vereadora de Maceió Heloísa Helena, ou a centro-esquerda tucana, cujas características pouco se diferem do atual governo petista? De certa forma, a resposta pode ser dada pelo próprio programa da sigla, que em seu item 4 proclama: “O PV não se aprisiona na estreita polarização esquerda versus direita. Situa-se à frente.†O grande desafio da legenda e de seus líderes, no entanto, é convencer aos eleitores de que essa posição “à frente†não é contraditória nem inviável.  

Dentro desse quadro sem um posicionamento explícito em relação às ideologias históricas – marcadas comumente por declarações e pensamentos maniqueístas –, o PV tenta se aproveitar da fama repentina. E vive um momento diferenciado em sua história no País. “Essa análise de que o partido não tem uma política clara não cola. Antes nós procurávamos outras legendas para se coligar. Agora, o PV possui candidaturas próprias e pela primeira vez é procurado por outros partidos. O que está acontecendo é um processo inversoâ€, destaca o jornalista Sérgio Xavier, pré-candidato ao governo de Pernambuco pela sigla, em clara referência ao interesse demonstrado pelo PSOL – em termos nacionais – e pelo PSDB – no Rio de Janeiro – de se coligarem com os verdes. 

Membro da executiva nacional do partido e um dos coordenadores da campanha de Marina Silva para a Presidência, Xavier diz que o PV tem consciência das dificuldades que vão existir em passar seu posicionamento para a sociedade, mas o desafio que o partido tem pela frente é justamente esse. “Trabalhamos com três dimensões: a social, a econômica e a ambiental. Esse é o nosso conceito. A questão a ser levantada é se estamos diante de algo que é sustentável ou não. Os padrões da esquerda do Leste Europeu e da China são insustentáveis. O modelo ultraliberal norte-americano também se mostra insustentável. Nosso desafio é transmitir isso para as pessoas. Nossa proposta tem uma dimensão econômica forte. Queremos crescimento com sustentabilidadeâ€, explica. 

Essa visão exposta pelo presidente do partido em Pernambuco, somada à aliança do PV com o PSDB do Rio, é a principal razão do rompimento entre os verdes e o PSOL – os dois partidos ensaiaram para valer uma coligação não apenas em termos nacionais, como também nos Estados. O time de Heloísa Helena, que é amiga de Marina Silva e admitiu que vai torcer por ela na disputa presidencial, não digeriu esse namoro entre verdes e tucanos e também o que chamaram de “falta de posicionamento†por parte da legenda ecológica. 

PODER 

Esse novo momento vivido pelo PV parece ter contagiado de fato suas principais lideranças. Tanto é verdade que agora eles não se preocupam simplesmente em disputar as eleições e difundir suas ideias. Querem ir mais longe, querem ganhar. Na visão de Sérgio Xavier, “o PV chegou a um estágio em que está buscando ser governo, ter poder realâ€. “Marina é quem tem o perfil mais competente para o pós-Lula no Brasil, está preparada para essas questões todas. O mundo a conhece e a respeita, vi isso pessoalmente quando a acompanhei em Copenhague (durante a conferência climática realizada no final do ano passado). Ela tem respeito, voto e é competitivaâ€, disparou. 

Por conta desse modo de ver a atual situação do partido, sem citar o nome do PSOL, o presidente do PV em Pernambuco deu a deixa do porquê da legenda ter preferido os tucanos ao time de Heloísa Helena. “Não dá para fazer alianças muito estreitas, limitadas, quando se prepara para ser governo. Não se pode ser radical. Essa é a nossa dificuldade em relação a algumas aliançasâ€, pontuou.





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